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LIBERTADORES DA AMÉRICA: A INDEPENDENCIA DO HAITI

(EF08HI09) Conhecer as características e os principais pensadores do Pan-americanismo. 

(EF08HI10) Identificar a Revolução de São Domingo como evento singular e desdobramento da Revolução Francesa e avaliar suas implicações


Atlas das ideias. Independência do Haiti, povo do Haití, libertadores da América.



  Lá pelos tempos do século 19, mais especificamente a partir de 1791 uma pequena ilha na América Central virou palco de uma das histórias mais loucas da humanidade. Começava a revolução da ilha de São Domingos, ou Revolução Haitiana, a maior revolta bem-sucedida de escravizados no mundo colonial.

  A ilha de São Domingos pertencia a França, lá os Franceses gostavam de acumular escravos e açúcar aos montes, mais antes disso trataram de destruir todas as tribos de nativos que insistiam em dizer que eram os legítimos donos das ilhas só porque viviam lá a centenas de anos. 

 Já que não mostraram nenhuma escritura provando que as terras eram suas, os Franceses e Espanhóis, protegidos pelas leis da Europa e do Santo Papa se viram no direito de matar e escravizar todos ali enquanto puderam. Más logo todos os nativos acabaram morrendo ou por doenças que os europeus traziam ou pelas chicotadas e trabalho escravo que eles generosamente ofereciam.

  Más não demorou para os colonizadores resolverem o problema e trataram logo de correr na África e buscar milhares de escravos negros para ocupar as vagas que os nativos deixaram embaixo dos chicotes. Por muitos anos os Franceses gastaram seu tempo maltratando milhares de escravos negros e obrigando eles a produzir açúcar aos montes para exportar para Europa onde viravam tortinhas nas mesas de chá dos Nobres e ricos europeus. Nas horas de folga entre as chicotadas e o trabalho forçado os escravos se reunia m em cerimonias religiosas de vodu(uma crença de seus ancestrais na Africa).

  Enquanto dançavam e rezavam nas línguas Africanas os escravos aproveitavam para falar mau de seus senhores sádicos e cruéis e bolavam uma maneira de dar um fim nesses safados. Estranhamente por não entender nada dos dialetos Africanos os Franceses riam e achavam engraçada toda aquela dança e alegria, será que esse s africanos eram masoquistas? O plano foi tomando forma e em 1791 o sacerdote vodu e líder quilombola Dutty Boukman profetizou a liderança de um levante libertador entre os escravos. A Revolução teve inicio naquele ano e, em poucos dias, mais de 100 mil escravos se levantaram e tomaram a Província do Norte, liderados por Toussaint Louverture, que foi o herói da independência para o povo Haitiano. 

  A ilha de São Domingos parecia um filme de Terror, a violência contra os donos de escravos foi grande. Com o sentimento de vingança aflorado, os escravizados, em sua rápida tomada da ilha, pilharam, torturaram e mataram seus senhores sem dó. Mesmo que os brancos estivessem armados – pois já esperavam uma revolta – eles eram minoria e para cada tiro acertado havia mais dezenas de escravos com sangue no olho para meter um facão onde achasse melhor.

   Em 1792, o sucesso do levante, ainda em curso, criou um clima de emergência na França. Desesperados, os franceses convocaram uma Assemblei a Legislativa que, querendo desacelerar a independência da ilha, concedeu direitos aos negros livres haitianos (o que chocou o mundo) e mandou 6.000 soldados para conter o levante. No entanto, os haitianos não se renderam e, em 1794, foi abolida a escravidão nas colônias francesas, por pura pressão e medo de centenas de milhares de escravos negros, fortes e com sangue nos olhos e loucos para ver Brancos de chicote na mão tentarem a sorte. Já no comando de toda a ilha, Toussaint Louverture escreveu uma constituição que o tornava governador-geral vitalício, com poderes quase absolutos. Eis um trecho da carta de independência:

“Irmãos e amigos. Eu sou Toussaint L’ouverture; talvez meu nome seja conhecido de vós. Eu empreendi a vingança de minha raça. Eu quero que a liberdade e a igualdade reinem em São Domingos.  Eu trabalho para que isso aconteça.  Uni-vos irmãos e combateis comigo pela mesma causa. Arranquemos pela raiz a árvore da  escravidão. Vosso muito humilde e obediente  servo. Toussaint Louverture,  General do exército do rei, pelo bem do povo.”

 

Atlas das ideias. Independência do Haiti, povo do Haití, Independência da América

    Escreveu também a Napoleão nos seguintes termos: “Do Primeiro dos Negros ao Primeiro dos Brancos”. Bonaparte confirmou a posição de Toussaint Louverture, mas o considerava um obstáculo à restauração de Saint-Domingue como uma colônia lucrativa, pois os senhores de engenho refugiados o haviam convencido da necessidade do trabalho escravo. Quando Napoleão assumiu como Imperador francês, houve uma breve reviravolta, em que as tropas nacionais enviadas à ilha conseguiram retomar o controle colonial de São Domingos.

   A escravidão retornou a Ilha e Louverture foi preso e mandado à França. La ele morreu um ano depois pelo simples fato de ser mal tratado e não receber comida o suficiente na masmorra suja onde foi hospedado. Com a prisão de Louverture, Jean-Jacques Dessalines assumiu o comando da Revolução em 1803 e chamando a população negra em massa a amolar seus facões e apontar seus mosquetes aos malandros Franceses que cercavam por ali, abriu espaço para a declaração da independência da ilha no começo do ano seguinte. O país declarou oficialmente o fim da escravidão e foi batizado de Haiti (que na língua nativa significava “terra de montanhas), em homenagem aos indígenas exterminados com a ocupação europeia.

  Haiti é o único país da América Latina que conquistou independência com uma revolta vinda de baixo, por escravos subjugados. O país possuía potencial, porém foi submetido a sanções e artifícios bancários por parte da França, que exigiu uma série de reparações aos proprietários franceses que perderam suas terras e em alguns casos partes do corpo nas lutas de independência. Com essas dívidas gigantescas, contrapartida para que o país europeu reconhecesse a independência do Haiti (que seria comandado por uma elite criolla a partir de então). Esse fato destruiu a economia e a infraestrutura local, fazendo com que o país seja, hoje, o mais pobre da América.

   Ao mesmo tempo, a Revolução Haitiana foi um evento que abalou para sempre a estrutura política e econômica do continente. Em diversos países, incluindo o Brasil, criou -se o medo de que a ordem escravista pudesse ser destruída por uma nova revolta de escravos inspirada nos heróis de São Domingos.



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Fontes Confiáveis e científicas:



JAMES, C. L. R. Os jacobinos negros: Toussaint L’Ouverture e a Revolução de São Domingos. São Paulo: Boitempo, 2010.




 

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