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A REVOLUÇÃO INVISÍVEL: COMO A INTERNET DAS COISAS CONECTA O MUNDO SEM PRECISAR DE TELAS

   

Conecte-se à Internet das Coisas: entenda o que é IoT, como sensores inteligentes mudam sua rotina e as cidades do futuro de forma simples!


     Imagine por um momento que os objetos ao seu redor ganhassem a capacidade de conversar entre si. Não uma conversa com voz e palavras como a nossa, mas uma troca constante de recados invisíveis através da rede. A sua cafeteira avisa o alarme do seu celular que o café já pode começar a passar porque você acabou de despertar. O seu carro avisa a garagem de casa que você está a cinco minutos de distância, e a garagem já acende as luzes da entrada para te receber. O seu relógio percebe que você dormiu mal e avisa o aplicativo de treinos para pegar mais leve na academia hoje. Essa grande teia de comunicação silenciosa entre objetos do cotidiano é exatamente o que chamamos de Internet das Coisas, ou simplesmente pela sigla IoT, do inglês Internet of Things.

   Para entender a Internet das Coisas sem complicações, vale a pena olhar para o modo como nós mesmos nos conectávamos à rede até pouco tempo atrás. Durante muitos anos, para entrar na internet, precisávamos sentar em frente a um computador ou usar um celular. Éramos nós, seres humanos, que digitávamos as pesquisas, enviávamos as mensagens e apertávamos os botões. A internet era essencialmente uma rede de pessoas conectadas através de telas. A grande virada de chave da Internet das Coisas é que agora os próprios objetos ganharam "olhos, ouvidos e boca" digitais. Eles conseguem perceber o mundo ao redor, entender o que está acontecendo e tomar atitudes sem que a gente precise dar uma ordem direta a todo momento.

    Esses "olhos e ouvidos" dos objetos nada mais são do que pequenos sensores. Um sensor é como um sentido humano em versão eletrônica: existe o sensor que sente o calor e mede a temperatura, o que percebe o movimento de uma pessoa passando, o que mede a umidade do ar, o que identifica a presença de luz ou até o que calcula distâncias. Quando você pega um objeto comum do dia a dia, como uma lâmpada ou um relógio, e coloca dentro dele um desses pequenos sensores junto com uma plaquinha de Wi-Fi ou Bluetooth, esse objeto deixa de ser passivo. Ele passa a ser um objeto inteligente. É como se ele ganhasse uma pequena inteligência prática e a capacidade de usar a internet para enviar as informações que coletou para a nuvem ou para outros aparelhos.

   A beleza desse conceito está no fato de que ele elimina a necessidade de comandos manuais repetitivos, tornando a nossa rotina mais simples e fluida. Pense na sua geladeira, por exemplo. Uma geladeira tradicional apenas guarda os alimentos gelados e espera que você abra a porta para conferir o que está faltando. Já uma geladeira conectada à Internet das Coisas consegue monitorar o prazo de validade do leite, notar que a caixa está quase vazia e enviar um aviso direto para a tela do seu celular lembrando de comprar mais no supermercado. Em alguns casos mais avançados, ela mesma pode fazer o pedido no mercado online se você autorizar. O objetivo final de toda essa tecnologia não é deixar a vida mais complicada ou cheia de botões, mas justamente o oposto: é fazer com que a tecnologia trabalhe nos bastidores para que você nem perceba que ela está ali.

   Embora o exemplo da casa inteligente seja o mais fácil de visualizar, a Internet das Coisas vai muito além da nossa sala de estar ou da cozinha. Ela está transformando a forma como o mundo inteiro funciona. Pense na agricultura, por exemplo. Antigamente, o agricultor precisava andar por toda a sua plantação para tentar adivinhar se a terra estava seca ou se as plantas precisavam de adubo. Hoje, pequenos sensores fincados na terra ao longo de hectares de plantação medem a umidade exata do solo a cada minuto. Se o sensor nota que a terra está ficando seca, ele avisa sozinho o sistema de irrigação, que liga a água apenas no ponto exato onde a planta precisa, desligando logo em seguida. Isso economiza milhões de litros de água e energia, mostrando que a tecnologia pode ser uma grande aliada do meio ambiente.


Internet das coisas, também conhecida como IoT  


    Da mesma forma, a Internet das Coisas está presente na saúde das pessoas. Relógios e pulseiras inteligentes que muitas pessoas usam no punho enquanto caminham no parque não servem apenas para mostrar as horas ou contar passos. Eles monitoram os batimentos cardíacos, o nível de oxigênio no sangue e até o padrão do sono. Se uma pessoa idosa que mora sozinha sofrer uma queda feia no banheiro, o relógio consegue detectar o impacto brusco do movimento, perceber que a pessoa ficou imóvel e enviar um pedido de socorro automático com a localização exata para o celular dos familiares ou para uma ambulância. Esse é um caso em que a simples conexão entre objetos pode literalmente salvar vidas.

    Até mesmo nas cidades o impacto dessa rede invisível é gigantesco. Lixeiras públicas inteligentes possuem sensores que avisam a prefeitura quando estão totalmente cheias, evitando que os caminhões de lixo rodem pela cidade queimando combustível à toa para esvaziar lixeiras que ainda estão pela metade. Semáforos inteligentes ajustam o tempo do sinal verde ou vermelho sozinhos, percebendo onde há mais carros parados em tempo real para desfazer engarrafamentos antes mesmo que eles se formem.

    Claro que, como qualquer grande avanço na história da humanidade, a Internet das Coisas traz os seus desafios. Como temos milhares de aparelhos colhendo informações sobre a nossa rotina dentro de nossas próprias casas, a questão da segurança e da privacidade da informação torna-se super importante. Afinal, ninguém quer que pessoas estranhas tenham acesso aos dados da sua câmera de segurança ou saibam os horários em que a sua casa fica vazia. Por isso, a proteção dessas redes é um assunto tratado com muita seriedade pelas empresas que desenvolvem essa tecnologia.

    No fim das contas, a Internet das Coisas é sobre criar um grande ecossistema onde o mundo físico e o mundo digital se fundem para facilitar a existência humana. Não se trata de substituir pessoas por robôs, mas sim de dar utilidade e inteligência aos objetos que nos cercam, permitindo que eles cuidem das tarefas mecânicas, chatas e repetitivas do cotidiano. É a tecnologia deixando de ser algo que a gente consome apenas olhando para uma tela retangular e passando a fazer parte de cada detalhe do ambiente onde vivemos, tornando o mundo mais ágil, eficiente e intuitivo.




📝🔍 DESENVOLVA


01- Com base no texto, qual é a principal diferença entre o modo como usávamos a internet no passado e o conceito de uso com a Internet das Coisas (IoT)?


02- O texto apresenta aplicações da Internet das Coisas em diversos setores (casa, agricultura, saúde e cidades). Escolha dois desses setores e explique como a tecnologia gera eficiência ou resolve problemas do cotidiano.


03-Apesar dos benefícios práticos facilitados pela IoT, qual é o principal desafio ético e de segurança apontado pelo autor no final do texto?





Fontes confiáveis e científicas: 

MAGRANI, Eduardo. A internet das coisas. FGV Editora, 2018.

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