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COMO A CHINA VIROU A MAIOR ECONOMIA DO MUNDO

Ilustração editorial mostrando a transformação da China, desde o passado agrária e fabril sob o comando de Deng Xiaoping até a modernidade tecnológica de Xangai, com trens de alta velocidade, robótica, semicondutores, energias renováveis e exploração espacial.

    

    Fala, galera! Você sabia que, há poucas décadas, a China era um país majoritariamente rural, com uma economia bem fraca e isolada do resto do mundo? Pois é! O que parece impossível de acreditar hoje, quando vemos a China como uma potência industrial e tecnológica gigante, é resultado de uma transformação econômica radical que começou há pouco mais de 40 anos. Bora entender como isso aconteceu?



Antes das reformas: uma economia estagnada


   Para entender essa virada, precisamos voltar um pouco no tempo. Depois da Revolução Comunista de 1949, liderada por Mao Tsé-Tung, a China adotou um modelo econômico totalmente estatal e centralizado, inspirado na União Soviética. O Estado controlava praticamente tudo: fábricas, terras agrícolas e a produção em geral. Só que esse modelo, somado a políticas como o "Grande Salto Adiante" e a "Revolução Cultural", causou grandes problemas econômicos e sociais no país, incluindo períodos de fome generalizada e forte isolamento em relação ao comércio internacional.

Depois da morte de Mao, em 1976, a China vivia um momento de incerteza sobre qual caminho seguir. Foi aí que surgiu a figura de Deng Xiaoping, que assumiu a liderança do país em 1978 e decidiu fazer algo até então impensável: abrir a economia chinesa, mesmo mantendo o regime político comunista. As reformas iniciadas por Deng Xiaoping, no fim dos anos 1970, permitiram a entrada de investimento estrangeiro e a criação de zonas econômicas especiais, como Shenzhen, que se tornaram polos industriais importantes. Só que, segundo a leitura de Jabbour, essa abertura não significou abandonar o projeto socialista, mas sim utilizar ferramentas de mercado como instrumento a serviço de um objetivo maior: o desenvolvimento nacional e o fortalecimento do país sob controle do Partido Comunista Chinês.

Essa combinação possibilitou que a China se tornasse, ao longo das décadas seguintes, a "fábrica do mundo", atraindo investimentos e gerando um crescimento econômico acelerado, capaz de tirar centenas de milhões de pessoas da pobreza extrema — um dos maiores feitos sociais da história econômica recente.




A terra e os setores estratégicos nas mãos do Estado

  

   Um dos pontos centrais dessa análise é que, mesmo com a abertura econômica iniciada nos anos 1980, a China manteve elementos fundamentais sob controle estatal, como a propriedade da terra, que segue sendo pública, e setores estratégicos da economia, como energia, telecomunicações e sistema bancário. Ou seja, diferente do que muita gente imagina, o mercado chinês não é totalmente livre nem parecido com o modelo neoliberal ocidental: existe um Estado forte, planejador, que direciona investimentos e prioridades econômicas de longo prazo, enquanto o setor privado e o comércio internacional funcionam dentro desses limites definidos pelo governo.

Essa combinação permite que a China una a eficiência e o dinamismo dos mecanismos de mercado com a capacidade de planejamento de longo prazo típica de economias centralizadas, algo que os autores consideram uma característica única desse modelo.



Economia do Projetamento: um conceito-chave

    

    Um dos conceitos mais importantes trazidos pelo livro é o de "Economia do Projetamento", desenvolvido originalmente pelo economista brasileiro Ignácio Rangel e reaproveitado por Jabbour para explicar o caso chinês. Esse conceito descreve uma economia em que o Estado atua de forma ativa, planejando investimentos estratégicos de longuíssimo prazo — pensando não em anos, mas em décadas — para transformar estruturalmente o país.

É por isso que a China consegue planejar e executar projetos gigantescos de infraestrutura, como redes de trens de alta velocidade, portos, usinas de energia renovável e cidades inteiras, com uma velocidade que impressiona o mundo todo. Esse planejamento de longo prazo, para os autores, é um dos grandes diferenciais que explicam o sucesso econômico chinês, e mostra como o Estado chinês não é apenas um regulador passivo do mercado, mas um verdadeiro agente ativo de transformação econômica.



Reformas de Deng Xiaoping: abertura sem abandonar o rumo


   As reformas iniciadas por Deng Xiaoping, no fim dos anos 1970, permitiram a entrada de investimento estrangeiro e a criação de zonas econômicas especiais, como Shenzhen, que se tornaram polos industriais importantes. Só que, segundo a leitura de Jabbour, essa abertura não significou abandonar o projeto socialista, mas sim utilizar ferramentas de mercado como instrumento a serviço de um objetivo maior: o desenvolvimento nacional e o fortalecimento do país sob controle do Partido Comunista Chinês.

Essa combinação possibilitou que a China se tornasse, ao longo das décadas seguintes, a "fábrica do mundo", atraindo investimentos e gerando um crescimento econômico acelerado, capaz de tirar centenas de milhões de pessoas da pobreza extrema — um dos maiores feitos sociais da história econômica recente.



Da fábrica do mundo à potência tecnológica


    Mais recentemente, esse modelo permitiu que a China desse um novo salto: deixar de ser apenas uma grande produtora de bens de baixo custo para se tornar protagonista em tecnologia de ponta, com empresas como Huawei, Xiaomi e Alibaba, além de forte presença em setores estratégicos como energia solar, veículos elétricos, inteligência artificial e exploração espacial. Para os autores do livro, esse avanço tecnológico só foi possível justamente por causa da capacidade de planejamento estatal de longo prazo, que direcionou investimentos massivos para pesquisa e desenvolvimento nessas áreas consideradas prioritárias para o futuro do país.



Uma alternativa ao capitalismo tradicional?


   Um dos argumentos centrais da obra é que a experiência chinesa representa uma alternativa concreta ao que os autores chamam de "anarquia do capital", ou seja, à lógica do capitalismo tradicional, guiado principalmente pelos interesses de curto prazo do mercado financeiro. Ao manter o controle estatal sobre setores estratégicos e utilizar o planejamento de longo prazo como ferramenta central, a China conseguiria escapar de alguns dos problemas estruturais enfrentados por economias capitalistas tradicionais, como crises financeiras recorrentes e a falta de investimento em infraestrutura de longo prazo.

Essa é, claro, uma interpretação entre várias que existem sobre o modelo econômico chinês, e é importante que a gente conheça diferentes perspectivas para formar uma opinião mais completa sobre o assunto.



Por que isso importa pra gente?


   Entender essa outra leitura sobre a ascensão chinesa é importante porque nos ajuda a sair do "piloto automático" de pensar que só existe um caminho possível para o desenvolvimento econômico, aquele baseado no modelo ocidental tradicional. A experiência da China, seja qual for a interpretação que a gente adote, mostra que existem diferentes formas de organizar uma economia e alcançar crescimento e desenvolvimento social.

A trajetória da China rumo à segunda maior economia do mundo pode ser explicada por diferentes ângulos, e a leitura de Elias Jabbour e Alberto Gabriele oferece uma perspectiva instigante: a de que o país construiu um modelo econômico original, combinando planejamento estatal de longo prazo com mecanismos de mercado, sem abandonar seu projeto socialista. 


Infográfico em estilo HQ e mangá sobre a ascensão da China, abordando as reformas de Deng Xiaoping, o papel do Estado, a industrialização, o avanço tecnológico de empresas como Huawei e Xiaomi, e a economia do projetamento.





📝🔍 DESENVOLVA


01- Segundo a análise de Jabbour e Gabriele, por que a experiência chinesa não pode ser explicada apenas como "capitalismo disfarçado de socialismo"?



02-
O que é a "Economia do Projetamento" e como esse conceito ajuda a entender o planejamento estatal chinês?


03- Por que manter setores estratégicos, como energia e terra, sob controle estatal é considerado central para esse modelo econômico?


04- Na sua opinião, é possível conciliar planejamento estatal de longo prazo com mecanismos de mercado sem contradições? Por quê?




Fontes confiáveis e científicas:

JABBOUR, Elias; GABRIELE, Alberto. China: o socialismo do século XXI. São Paulo: Boitempo, 2021.

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