A VIDA DO SOLO E OS RISCOS DA MINERAÇÃO
Um antigo provérbio afirma que: “Quando o solo é saudável, a planta cresce saudável e o ser humano também se mantém saudável.” A ideia expressa nessa máxima foi destacada pela engenheira agrônoma Ana Maria Primavesi (1920-2020), cientista austríaca considerada pioneira da Agroecologia no Brasil. Sua reflexão evidencia a importância do cuidado com o solo, pois dele depende toda a vida. Para Primavesi, preservar esse recurso natural significa também garantir equilíbrio no ambiente em que vivemos.
O valioso trabalho desta pesquisadora demonstra a importância da atividade macro e microbiológica do solo, com a produção de matéria orgânica a partir da compostagem e vermicompostagem (com o uso de minhocas), a utilização de adubos verdes, o plantio sem o revolvimento do solo e adição de insumos químicos, além do controle biológico que substitui o uso de inseticidas, com os chamados inimigos naturais. Seus estudos relacionados à agricultura ecológica retratam a natureza como uma teia da vida que inter-relaciona o solo, a água, o clima, os microrganismos, as plantas e os animais. A pesquisadora sempre buscou levar seus conhecimentos a todas as esferas da sociedade, principalmente aos agricultores, para que estes conheçam as características de um solo vivo, buscando autonomia em seus cultivos. [...] Em um contexto atual onde se propaga o agronegócio como “pop”, é importante nos informarmos quais os impactos quando estamos consumindo [produtos da agricultura convencional], uma vez que não contribuem para a conservação dos recursos naturais, da agrobiodiversidade e dos conhecimentos tradicionais. [...] A agroecologia surge como uma ciência multidisciplinar, além de um movimento social com organizações de camponeses, indígenas e mulheres, que proporciona a união de saberes técnico-científicos e de povos tradicionais, destacando os saberes do campo para a promoção e conservação da sociobiodiversidade. [...] Existem algumas práticas utilizadas na transição agroecológica, como a rotação de culturas, em que a cada ciclo são cultivadas espécies diferentes em uma mesma área, para não se esgotar os nutrientes do solo; a utilização de adubos verdes com uso de plantas leguminosas, onde suas raízes, consorciadas com bactérias chamadas rhizobium, fixam nitrogênio da atmosfera no solo; os policultivos, com a associação de várias espécies na mesma área e ao mesmo tempo, como por exemplo: hortaliças, milho, mandioca etc; e a cobertura do solo com palhas ou vegetação, que protege os solos tropicais contra a insolação direta, o impacto das gotas de chuva e do vento, nutre a fauna do solo e incorpora essa cobertura através de sua decomposição, produzindo matéria orgânica, entre outros benefícios.
PINTO, Maria Clara E. A vida do solo. A voz da serra, Nova Friburgo, 13 jun. 2020. Disponível em: https://avozdaserra.com.br/noticias/vida-do-solo. Acesso em: 28 mar. 2022.
Os riscos da mineração
Você já parou para pensar de onde vêm os minérios usados para fazer celulares, carros e até panelas? Eles são retirados da natureza por meio da mineração. Mas, apesar de ser importante para produzir muitas coisas que usamos no dia a dia, a mineração pode trazer sérios problemas para o meio ambiente.
Quando o solo é escavado de forma exagerada, ele perde sua força e deixa de ser fértil, ou seja, fica mais difícil para as plantas crescerem. Além disso, rios e lagos próximos às minas podem ser contaminados com metais pesados e outros produtos tóxicos, prejudicando os peixes, os animais e até as pessoas que dependem dessa água.
Outro risco é a destruição das florestas. Para abrir espaço para a mineração, muitas árvores são derrubadas, o que causa perda de habitat para os animais e desequilíbrios no clima. Por isso, é fundamental que a mineração seja feita de forma responsável, sempre respeitando a natureza e buscando alternativas para diminuir seus impactos.
PRIMAVESI, Ana Maria. Manejo ecológico do solo: a agricultura em regiões tropicais. 21. ed. São Paulo: Expressão Popular, 2019.
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9/30/2025
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