QUE TAL O PAÍS DOS CORONÉIS?
A Guarda Nacional, criada em 1831 durante o Período Regencial, era composta por milícias civis e não estava vinculada ao Exército regular. Sua organização previa que cada cidade ou vila do interior tivesse uma unidade própria, cuja hierarquia culminava no posto de coronel. Esse cargo, porém, não era ocupado por militares de carreira, mas quase sempre pelos chefes políticos locais, representantes diretos dos interesses dos grandes fazendeiros e proprietários de terras.
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| Fotografia de família e agregados do coronel João Heráclio. Casinhas (PE), década de 1920. |
Na prática, a instituição reforçou e consolidou o poder das elites agrárias, permitindo que os coronéis controlassem não apenas a vida política, mas também o cotidiano social e econômico das regiões onde atuavam. Esse sistema ficou conhecido como coronelismo, termo derivado justamente da centralidade do “coronel” no exercício do poder.
O coronel, em geral um grande latifundiário, exercia autoridade sobre sua família, afilhados, agregados, colonos e até comerciantes locais. Seu poder se mantinha por meio de uma rede de clientelismo, baseada na troca de favores, na oferta de proteção e, quando necessário, na ameaça ou uso de violência contra os que ousassem contrariá-lo.
O coronelismo tornou-se um dos pilares da política brasileira ao longo do Império e da Primeira República, influenciando fortemente as eleições, o funcionamento do Estado e a vida cotidiana da população do interior. Essa forma de poder local se manteve como característica marcante da política nacional até meados do século XX.
Fontes confiáveis e científicas:
CARVALHO, José Murilo de. A construção da ordem: a elite política imperial. 2. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.
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9/30/2025
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