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COMO AS BRUXAS SE POPULARIZARAM NA CULTURA POPULAR?

 


   E aí, galera! Se eu te perguntar agora se você tem medo de bruxa, qual é a sua resposta? Se for um "não" bem redondo, saiba que você faz parte da maioria. É que, hoje em dia, as bruxas viraram ícones da cultura pop e estão por toda parte — em séries, filmes e livros — muitas vezes como as heroínas ou aquelas personagens superestilosas que a gente adora.

Mas nem sempre foi assim. O caminho delas até o topo da cultura pop foi longo, misterioso e, infelizmente, bem sinistro no começo. Bora entender como essa imagem mudou tanto?


O lado sombrio: o auge da caça às bruxas

     Para entender essa história, precisamos voltar no tempo. A barra começou a pesar por volta do ano 1400, na Europa, quando a Igreja decretou que qualquer tipo de magia vinha do demônio. Mas o auge do terror aconteceu bem depois, entre 1692 e 1693, no famoso episódio das Bruxas de Salem, nos Estados Unidos.

Em Salem, cerca de 200 pessoas foram acusadas de bruxaria sem prova nenhuma. Dessas, 20 foram mortas e 5 morreram na prisão. Naquela época, a palavra "bruxa" era um crime grave. As pessoas realmente acreditavam que elas eram mulheres feias, más e que tinham feito um pacto com o diabo para prejudicar os vizinhos.

A historiadora Rachel Christ-Doane explica que esses julgamentos revelam muito sobre o preconceito humano: as "bruxas" de Salem eram, na verdade, apenas mulheres comuns que não se encaixavam no padrão da sociedade da época — como mulheres mais pobres, que batiam boca, tinham filhos fora do casamento ou que simplesmente viviam sozinhas, sem um homem por perto.


Da vilã assustadora à "bruxa boa"

   A virada de chave na imagem das bruxas começou a rolar no século XIX. A cultura pop começou a dar os seus primeiros passos e as bruxas passaram a aparecer em cartões-postais de Halloween e anúncios como mulheres bonitas e sensuais, deixando de lado aquela imagem da velha nariguda.

A grande revolução literária veio em 1900, quando L. Frank Baum lançou o livro O Maravilhoso Mágico de Oz. Foi ali que surgiram as primeiras bruxas declaradamente boas da literatura: Glinda e a Bruxa Boa do Norte! Décadas depois, nos anos 1960 e 1970, a série de TV A Feiticeira trouxe uma bruxa como a queridinha da família americana, limpando de vez a barra delas.


O Boom dos anos 90 e a cultura pop atual

   Nos anos 1990, as bruxas viraram uma febre total, e por dois motivos principais: o crescimento dos movimentos feministas (que resgataram a figura da bruxa como um símbolo de independência e poder feminino) e a popularização de religiões neopagãs, como a Wicca.

A partir daí, a cultura pop explodiu com produções que a gente ama até hoje: Harry Potter, Sabrina, a Aprendiz de Feiticeira, Buffy, a Caça-Vampiros e, mais recentemente, tantas outras produções.

Depois de tantos séculos de perseguição, as bruxas finalmente deixaram o posto de monstros assustadores para ganhar várias facetas: fortes, inteligentes, divertidas e complexas. Existindo ou não, uma coisa é certa: elas continuam fascinantes. Como diz o ditado: "yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay" (não acredito em bruxas, mas que elas existem, existem).





📝🔍 DESENVOLVA


01- O texto faz uma ligação direta entre o perfil das mulheres acusadas de bruxaria em Salem e o preconceito da sociedade daquela época. Com base na explicação da historiadora Rachel Christ-Doane, quem eram as "bruxas" na vida real e por que elas eram os alvos principais?


02-O texto aponta que a imagem das bruxas passou por uma grande "evolução" ao longo dos séculos. Identifique os marcos cronológicos mencionados no texto (século XIX, ano 1900 e anos 1990) e explique resumidamente o que mudou na representação das bruxas em cada um desses momentos.





Fontes confiáveis e científicas: 


FEDERICI, Silvia. Calibã e a bruxa: mulheres, corpo e acumulação primitiva. São Paulo: Elefante, 2017.

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