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A ORIGEM DA GUERRA: COMO TUDO COMEÇOU?





⚔️Guerras: uma invenção humana (bem antiga!)

  Você sabia que a guerra tem data de aniversário? Ela surgiu lá no 3º milênio antes de Cristo — ou seja, há mais de 5 mil anos! Foi nessa época que nasceram os primeiros estados organizados, e junto com eles veio uma ideia bastante problemática: dominar outros povos e tomar suas terras.

  Segundo o historiador e arqueólogo Pedro Paulo Funari, da Unicamp, antes disso tudo era bem mais "caseiro": tribos vizinhas brigavam entre si com lanças e flechas, no famoso esquema corpo a corpo. Nada de exércitos organizados, nada de estratégia — era na raça mesmo.


🌾 A culpa é da agricultura?

  Pode parecer estranho, mas sim! Com o desenvolvimento da agricultura no Egito e na Mesopotâmia, por volta de 3.200 a.C., sumérios, egípcios e hititas começaram a acumular excedentes de comida — e aí surgiu um problema clássico: terra fértil é disputada. Para proteger o que era seu, os camponeses pegaram em armas. Nascia aí o guerreiro profissional.


🔩 O ferro mudou o jogo

  No Oriente Antigo, o poder militar era enorme — até que surgiu uma "nova tecnologia": o ferro. Introduzido no início do 1º milênio a.C., esse metal era mais barato e mais eficiente do que o bronze para fazer armas. Os primeiros a aproveitar essa vantagem foram os gregos.

  Por volta do século 6 a.C., na Grécia, pequenos proprietários rurais que precisavam garantir suas colheitas pegaram em armas e formaram os chamados hoplitas — soldados que lutavam em grupo, em formação cerrada, com escudos e lanças. Sozinho, o hoplita era vulnerável. Junto, era imbatível.


🛡️ As falanges: o poder da união

  O biógrafo Plutarco, nascido no século 1 d.C., ficou impressionado com as falanges espartanas. Ele descreveu assim: os soldados avançavam em formação, sem nenhuma brecha na linha de batalha, sem confusão, direto para o perigo. As colunas de soldados chegavam a 3 quilômetros de comprimento, com exércitos de até 30 mil guerreiros. Imagina enfrentar isso?

   Essa forma de lutar inspirou, mais tarde, as famosas legiões romanas — unidades de 5 mil combatantes, todos bem treinados e equipados. A grande diferença? Agora os soldados obedeciam ao general, e não ao Estado. Isso abriu caminho para que generais se tornassem imperadores — como Otávio, que em 27 a.C. recebeu o título de Augusto, tornando-se o primeiro imperador oficial de Roma.


🌍 O legado que chegou até hoje

De acordo com Funari, o mundo em que vivemos hoje ainda é moldado pela guerra — por meio de conquistas, conflitos civis e lutas por independência. As guerras da Antiguidade serviram de modelo para os tempos modernos. Alexandre da Macedônia e Júlio César inspiraram Napoleão Bonaparte na sua forma de guerrear.

E no Brasil? O professor Funari lembra que o golpe militar de 1964 é um exemplo de como o exército pode agir como força política independente — capaz de dominar o cenário político de um país inteiro.







📝🔍 DESENVOLVA


01. De acordo com o arqueólogo Pedro Paulo Funari (Unicamp), qual era a principal motivação para os combates entre povos na pré-história, antes do surgimento dos primeiros exércitos organizados?


02. O texto afirma que o desenvolvimento da agricultura foi decisivo para o surgimento dos primeiros exércitos. Explique a relação entre excedente agrícola, terra fértil e a necessidade de organização militar no Egito e na Mesopotâmia por volta de 3.200 a.C.


03. O que eram os hoplitas e por que a sua força dependia do trabalho em grupo? Como essa estratégia influenciou a formação das legiões romanas?


04. Segundo Funari, as guerras da Antiguidade deixaram um legado que chega até os dias atuais. Cite dois exemplos mencionados no texto — um histórico e um brasileiro — que ilustram como o poder militar pode interferir na política de um país.



Fontes confiáveis e científicas:



Texto baseado no artigo "A gênese da guerra", de Eliza Muto, publicado na revista Grandes Guerras, ed. 1, janeiro de 2005, p. 12.


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