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MARCO POLO: O MOCHILEIRO RAIZ DA IDADE MÉDIA

     


   Se você acha que fazer um mochilão hoje em dia exige coragem, imagina cruzar o mundo a pé, a cavalo e de camelo no século XIII! Essa é a história de Marco Polo, o veneziano nascido em 1254 que virou um dos maiores influenciadores de viagem de todos os tempos.

Seu pai e seu tio já eram comerciantes experientes que faziam negócios na Ásia, mais especificamente na China (que na época era dominada pelo Império Mongol). Criado por parentes após perder a mãe, Marco passou a adolescência estudando sobre comércio e outras culturas. Aos 17 anos, ele finalmente ganhou o direito de entrar no grupo dos adultos e embarcou com a família na sua primeira grande expedição.


Sobrevivendo à Rota da Seda

  A viagem era um verdadeiro teste de sobrevivência. Eles usavam a famosa Rota da Seda, um caminho gigantesco que cruzava o Mar Mediterrâneo, passava pelo Irã, subia montanhas congeladas no Tajiquistão e atravessava o temido Deserto de Gobi até chegar à China.

Uma caravana bem preparada levava cerca de dois anos só para ir! O caminho era cheio de perigos: tempestades, relevos complicados e, claro, bandidos prontos para roubar tudo a qualquer momento.


O "Vip" do Império Mongol

  Apesar do sufoco, a viagem deu super certo. O jovem Marco Polo era muito curioso e anotava tudo o que via pelo caminho. Quando chegaram à China, eles foram recebidos por ninguém menos que Kublai Khan, o poderoso imperador mongol. O Khan curtiu tanto a inteligência e a vibe do jovem veneziano que o contratou como uma espécie de diplomata oficial.

Graças a esse emprego dos sonhos, Marco viajou por regiões que nenhum europeu conhecia, como a Índia, o Tibete e Myanmar. Ele mandou tão bem que foi promovido a administrador de cidades e conselheiro do próprio imperador.

Depois de 24 anos longe de casa, os Polos resolveram voltar para Veneza em 1292. A viagem de retorno foi outro perrengue: enfrentaram surtos de doenças e tempestades terríveis no mar, demorando três anos para conseguir pisar na Itália.


Do Xadrez ao Best-Seller

  Logo após voltar, Veneza entrou em guerra com a cidade de Gênova e Marco Polo acabou sendo preso em 1298. Na cadeia, ele dividiu a cela com um escritor chamado Rustichello de Pisa. Para passar o tempo, Marco começou a ditar suas memórias de viagem e o colega botou tudo no papel. Assim nasceu o livro "As Viagens de Marco Polo".

O livro bugou a mente dos europeus. Ele trazia coisas que ninguém na Europa imaginava que existiam:


Papel-moeda: Os caras usavam notas de papel em vez de moedas pesadas de ouro.

Sistema postal: Um correio super rápido e organizado.

Carvão: Pedras pretas que pegavam fogo e serviam de combustível.


  Muitos leitores acharam que era tudo fake news e invenção de Marco Polo. Mas ele batia o pé e dizia uma frase icônica: "Eu não contei nem metade do que eu vi!".

Anos mais tarde, a ciência e a história provaram que ele estava falando a verdade. O livro fez tanto sucesso que inspirou outros grandes navegadores, como Cristóvão Colombo, que viajou para a América carregando um exemplar do livro debaixo do braço atrás das riquezas descritas por Marco. Depois que saiu da prisão, ele sossegou: casou-se, teve três filhas e viveu como um comerciante discreto em Veneza até morrer em 1324, aos 69 anos.






📝🔍 DESENVOLVA


01- De acordo com o texto, quais foram as três grandes novidades tecnológicas ou de organização social que Marco Polo descreveu em seu livro e que eram totalmente desconhecidas pelos europeus da época?


02-Por que a viagem de retorno de Marco Polo e sua família para Veneza, em 1292, foi descrita como uma verdadeira "luta pela sobrevivência"? Cite os problemas enfrentados por eles.







POLO, Marco. As viagens de Marco Polo. Tradução: Eduardo Brandão. São Paulo: Penguin Classics Companhia das Letras, 2009.

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